Quem sou eu?

Chamo-me Sofia e tenho 30 (e mais alguns) anos.
Sou casada e vivo em Portugal.
E, em 2011, consegui ultrapassar o meu vaginismo.
Fi-lo com a ajuda de fisioterapia e de psicoterapia. E com a minha própria ajuda, não convém esquecer. E estou muito feliz por isso.

Nunca contei a ninguém que tinha vaginismo.
Nunca contei a nenhuma amiga ou a ninguém próximo.
Por vergonha.

Viver com vaginismo este tempo todo, e ainda por cima estando casada, foi difícil e teve momentos muito maus e bastante sofridos. Cheguei a acreditar que nunca me iria curar. Ter um marido fabuloso ajuda muito. Acreditar que o sexo é muito mais do que penetração ainda ajuda mais...

Quando concluí que não conseguia ir ter penetração vaginal 'naturalmente', corri a consultar uma ginecologista. Infelizmente (e como acontece em muitos dos casos de mulheres com vaginismo) a médica desvalorizou e, dado que estava tudo bem comigo em relação ao exame ginecológico e porque era 'só' medo, apenas tinha que relaxar. E assim o tentei fazer. E foi terrível. Eu relaxava e não conseguia. Relaxava e não consegui. Que raio se passaria comigo??

Foi apenas quatro anos depois que, ao desabafar com uma médica, ela me indicou uma psi que, por sua vez, me indicou uma fisioterapeuta.
E três meses e meio depois estava a ter a minha primeira relação sexual com penetração.
Inacreditável, não é?

Este blogue representa todas as conversas que não posso ter com ninguém.
E as conversas que eu gostaria que alguém tivesse tido comigo quando sofria sozinha com o vaginismo.

Espero, também, que possa ajudar outras mulheres com situações semelhantes.

O bom, e o trágico, do vaginismo é que é mesmo possível de ultrapassar.

Apesar de estar, progressivamente, a sentir-me realmente curada, não penso em abandonar o blogue. Acho que ainda tenho um longo caminho pela frente.



29 comentários:

  1. Certamente, uma vez pensei para comigo mesma: "Uma vez vagínica, para sempre vagínica". E não foi de todo um pensamento pessimista. O vaginismo pode ser uma disfunção, na medida em que nos causa sofrimento e dor. Mas também essa dor e sofrimento, e todo o processo e o caminho até à cura é já ele uma benção: de nos podermos amar a nós próprios, de amarmos os outros, de aprendermos sobre o nosso corpo e sobre o amor, de crescer e enfim, de sermos felizes, dando mais significados às conquistas que outros dão como garantidas :)

    E temos também à nossa frente a necessidade e, até talvez, o dever de ajudarmos outras pessoas a também ultrapassarem a dor e serem felizes :)

    Muitas felicidades para o seu caminho!

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  2. Que palavras tão bonitas, Raquel!
    Sim, realmente aprendem-se imensas coisas com este processo todo. Coisas que vão muito além do vaginismo, sem dúvida!
    Tudo, tudo, tudo de bom!

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  3. Olá Raquel.

    Encontrei aqui e agora o relato dos meus últimos anos.
    Tantas e tantas situações iguais, tantas histórias, peripécias, dificuldades, alegrias, consultas e exercícios que descreves e que também eu vivi.

    Eu tenho 32 anos. Descobri e comecei a tratar o vaginismo quando tinha 25. A psi ( a mesma e que me indicou o teu blog) ajudou-me a ultrapassar a maior dificuldade de sempre e a descobrir quem sou ( ou a transformar-me em quem sou). Foi um longo, doloroso e gratificante processo de vida e de descoberta de mim própria. O vaginismo foi o pior e o melhor que me podia ter acontecido na vida.
    Passo anos sem lá ir, mas saber que posso contar com ela se precisar resolve, por si só e muitas vezes, as minhas ansiedades e problemas. E quando preciso, lá vou eu outra vez, procurar as palavras sábias que me ajudam a por tudo na ordem - na minha ordem. Ela é o meu anjo da guarda.

    Sou muito feliz, vou casar (daqui a 2 meses!!) com o homem que amo e que durante anos me acompanhou em todo o processo, consultas, terapias e afins! ;) Ele esperou por mim (e ainda foram uns bons anos). Aliás, tem esperado sempre, já que a nuvem da dor no momento da penetração ainda paira sobre nós, ou antes, sobre mim... Mas agora abriu-se mais uma porta para tentar afastar essa nuvem de vez e vou experimentar as sessões de fisioterapia.

    De resto, e por agora, obrigada por permitires a outras pessoas como nós não se sentirem sozinhas ou únicas!!

    Até já.

    a.

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    1. ...e já agora... o meu nome é Andreia ;)

      a.

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  4. Olá Andreia!
    Sê muito bem vinda ao blogue. Fiquei confusa, não sei bem se te estavas a dirigir a mim (autora do blogue, Sofia), ou à Raquel que é leitora do blogue e uma grande amiga com quem partilho muitas características. Seja como for, dá notícias das sessões da fisioterapia e, acima de tudo, muitos parabéns por estares noiva :))) Muitas Felicidades!!
    PS: E a dor no momento da penetração paira sempre sobre @ noss@ parceir@ também, acredita!

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  5. Olá Sofia!
    Obrigada pela coragem de criares um blog que traz um pouco de esperança a quem o lê. Eu tenho 22 anos e acredito ter vaginismo. A minha ginecologista disse-me para ir tentando por tampões mas, como é de esperar, sempre foram tentativas frustadas.
    Namoro há um ano e meio e nas nossas tentativas este medo irracional que não me deixa sequer colocar um dedo, infundado claro porque sei perfeitamente qual a constituição da vagina e como tudo funciona. No momento fico excitada e, sinceramente, parece que me sinto relaxada mas não entra de forma alguma...
    Nunca tive uma educação rígida, nem sofri qualquer tipo de trauma. Não me identifico nada com esta pessoa que não consegue avançar sexualmente. Nos preliminares sou desinibida, gosto de "brincar"...Acho mesmo que isto só acontece pelo simples medo da dor, não sei...
    Às vezes fico muito em baixo, deprimida porque qual é a rapariga de 21 anos que não consegue ter relações? todas as minhas amigas falam disso, fazem piadas das situações, vão a sexshop para tentar apimentar a sua relação e pedem-me para ir com elas...
    Mas isto tem de mudar e vou marcar uma consulta com a minha ginecologista.
    Será possível contactar te directamente através do email para tirar algumas dúvidas? Não sei a quem mais recorrer e é difícil encontrar psicólogas e fisioterapeutas que tratem esta disfunção...
    Muito Obrigado!!!!!!!!!!!!

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  6. Olá Anónima! Contacta-me pelo e-mail para falarmos melhor (sofia.xxyz@gmail.com).
    E coragem é necessária para enfrentarmos a situação, não para criar um blogue! ;) O blogue é um privilégio que tenho que me permite entrar em contacto com tantas pessoas tão especiais.
    E na maior parte das vezes nós não compreendemos mesmo como é que podemos ter vaginismo. E logo nós que somos tão conhecedoras, informadas, sofisticadas e sem preconceitos. E por isso é que a terapia pode fazer milagres... Para nos apercebermos que não somos assim tão 'emancipadas'... Mas falamos depois melhor por mail... Espero notícias.
    Beijinho, Sofia.

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  7. Olá Sofia!

    Sou a Vânia, tenho 22 anos e identifico-me tanto consigo.
    Hoje ganhei coragem e fui a um ginecologista, com o meu namorado. Expliquei-lhe que não consigo ser penetrada porque sinto dores horriveis, parecendo que tenho algo a bloquear a vagina. Também lhe contei uma situação idêntica à sua, quando tentei introduzir um tampão, tinha eu uns 12/13 anos e não consegui com tanta dor.
    Depois disso, o médico quis examinar-me (o que me doeu bastante) e concluio que tenho vaginismo e um hímen fibroso, ou seja não se rompe com facilidade. Sugeriu-me então uma pequena cirurgia para remover o himem e depois disso sugeriu que eu fosse introduzido os dedos para relaxar.
    Isto tudo não me pareceu de grande ajuda pois se é "psicológico", não sei como esta cirurgia pode me ajudar. Aliás tenho medo que ainda me traumatize mais.
    Não sei mesmo o que fazer...
    O meu namorado de há já 3 anos é um amor de pessoa. Nunca me pressionou com nada e sempre esteve do meu lado mas eu quero tratar disto, quero sentir-me uma mulher normal e quero saber qual é a sensação da penetração. Claro, também temos outras experiências sexuais que correm sempre muito bem mas isto é muito importante para uma mulher se sentir bem consigo própria.

    Gostaria muito que, se podesse, me desse o contacto das suas médicas porque não sei mesmo quem procurar para tratar isto.

    Agradeço imenso todos os seus posts. Sinto-me menos sozinha e sinto que há esperança de curar.

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  8. Olá Vânia!
    Primeiro que tudo, parabéns pela coragem da ida ao ginecologista! Um grande primeiro passo.
    Quanto ao hímen e à cirurgia eu já ouvi tantas versões que não sei bem o que pensar. E que tal pedir uma segunda/terceira opinião? É que as cirurgias desse tipo por vezes complicam (mais do ajudam a resolver) o vaginismo.
    Não sei onde vives, mas se me contactares por e-mail (sofia.xxyz@gmail.com) podemos falar melhor.
    E claro que há esperança de curar o vaginismo. Se eu consegui, qualquer pessoa consegue! ;)

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  9. Olá a todas!

    Sinto uma mescla de emoções ao ver a minha história nas vossas vidas e, sem dúvida, que este blog assume-se como uma fonte de esperança para todas as mulheres que sofrem de vaginismo. Infelizmente ainda não tive coragem, nem sequer, de ir ao ginecologista para falar deste problema. Tenho medo de ser incompreendida e, pior, de ser alvo de chacota.
    Enviei um e-mail à Sofia há pouco e confesso que foi libertador falar do meu problema pela primeira vez. É mais do que hora de tratar deste problema, por mim e pelo meu namorado que tem apoiado e esperado por mim há tanto tempo...
    Obrigada a todas e, em especial, à Sofia!
    Por vergonha assino
    JSC

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  10. Obrigada eu (e nós) JSC!
    Somos todas tão semelhantes, não é? E podemo-nos ajudar mutuamente, também, por isso!
    Falamos melhor por e-mail.
    Um grande beijinho!!

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  11. Faço 4 anos de casada em dezembro e sinceramente não sei mais o que fazer... Me sinto um mulher pela metade, incompleta, manca. Tenho 28 anos e descobri que meu problema de anos era Vaginismo a pouco tempo, depois que entrei em depressão profunda. Fiquei feliz em saber que meu problema tinha uma explicação e que eu não era a única. Mas não sei mais o que fazer. Sofri abuso na infância e acredite, saí culpada pelo que aconteceu e tive que prometer pra minha mãe que jamais deixaria alguém me tocar. Cresci tendo pesadelos com sexo e me sentia culpada cada noite. Em paralelo tive uma educação religiosa muito, muito severa que se estendeu por toda minha juventude. Fiz terapia para conseguir ter meu primeiro namorado, com quem hoje sou casada. Ele é um anjo que Deus mandou pra mim. Nos casamos virgens e ele me entende e apoia. Porém sei que lá no fundo ele sente falta de uma relação sexual completa. Desenvolvi um medo enorme da gravidez. Estou conseguindo aos poucos ser curada da depressão mas sempre me vejo em crise pela mesma razão: quero ser completa! Quero ter filhos!
    Consegui a 2 meses ter uma penetração completa, com muita dor, mas forcei.. Fizemos umas 5 vezes assim, achei que tava curada mas parece que travei de novo e cada vez sinto menos vontade de tentar..Não sei mais o que fazer.. Estou desesperada. Por que sou assim? :(

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    1. Olá Anónima!
      Gostava tanto de poder ajudar mais... Se já está a ser acompanhada em psicoterapia esse já é um passo enorme para qualquer vagínica. E para perceber que a culpa não é sua! Mesmo!
      Eu sei que é difícil ter esperança, mas com calma e muito apoio o vaginismo vai ficar para trás!
      Eu estou por aqui, sempre que quiser falar.
      Abraço muito forte!

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  12. Amando ler cada palavra do seu blog.
    Para mim que estou inciando o processo de cura, é muito bom ler histórias de sucesso.
    Eu também alcançarei a vitória!
    Parabéns pelo blog.

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    1. :) E daqui a pouco a história de sucesso vai ser a sua!
      Beijinhos

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  13. Oi Sofia,
    estava a rever um pouco o que já li e me deparei com esse post em que você disse que apesar de curada do vaginismo você ainda tinha um longo caminho pela frente. Gostaria de saber o que você quis dizer com isso e a quantas anda esse progresso. Quem sabe você não faz um novo post sobre isso...?
    beijo

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    1. Logo, logo Marcelo farei esse post!
      Espero que esteja tudo bem.
      Beijos

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  14. oi gente,tenho 24 anos a mais ou menos 3 anos sinto muita dor e desconforto,queimaçao,e diminuindo cada vez mais a vontade de ter relaçoes sexuais, as vezes tenho infecçaoes na urina,sinto muita dor de cabeça ja tomei muito antibioticos pomadas vaginais e nada serve nao sei mas o que fazer me ajudem.

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    1. Olá Anónima!
      Acho que o melhor mesmo era consultar um ginecologista para ver o que se passa. Só se não houver razão 'física' aparente é que poderá pensar em terapia. Boa sorte!

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  15. Consegui um site brasileiro que me ajudou muito e tem um acompanhamento com uma fisioterapeuta especializada.
    www.superandovaginismo.com.br

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    1. Aqui fica para as meninas brasileiras uma grande ajuda!
      Obrigada!

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  16. Chamo-me Catarina, tenho 33 anos e tenho vaginismo. Sofri abuso sexual muito cedo. Gostava de conhecer a Sofia e as outras corajosas que frequentam o blog. beijinhos a todas

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    1. Olá Anónima!
      Um dia destes ganhamos coragem e organizamos um encontro :)
      Muita força para superar isso tudo.
      Beijinho

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  17. Oi, meninas! Depois de 10 anos, isso mesmo, 10 anos, consegui a primeira penetração!!! Meu marido e eu choramos de emoção, pois como sabem o caminho é muito sofrido. A penetração foi um pouco dolorida, mas sei que em pouco tempo vai melhorar...Esse blog me ajudou muito com as dicas!. Eu não conseguia nem tocar na entrada da vagina quando me casei (casei virgem), só depois de 8 anos de casada, desesperada, tive coragem para conversar com uma ginecologista. Ela me fez muitas perguntas sobre meu passado, quando contei a ela que eu tinha sido molestada por um tio quando tinha eu 10 anos de idade e ela me disse que era vaginismo e eu fiquei feliz, pois pensei que eu era um ET! Ela me mandou tentar colocar um absorvente interno. Demorei quase um ano para conseguir colocar o OB mini e não tive coragem de voltar a ginecologista. Depois comecei a pesquisar nos blogs e vi que muitos indicavam os dilatadores. Comprei e comecei treinamento, era muito ruim, me sentia um lixo, me sentia estranha, incapaz..., ficava sozinha no quarto fazendo os exercícios e até chorava, pensava que nunca iria conseguir e demorou uns 2 anos até eu chegar ao último tamanho, mas quando ia tentar com meu marido, NADA!!! não entrava, eu via a tristeza no rosto dele e pedia a Deus que me matasse ( eu não estou exagerando), pois assim ele teria a oportunidade de ter uma vida completa e feliz com outra mulher. No desespero cheguei a falar com ele para procurar mulher na rua, ele nunca aceitou e dizia que ia viver sem sexo completo, isso me matava por dentro...Depois li uma dica em um blog para atrelar os exercícios com os dilatadores com minha intimidade com meu marido,( eu fazia os exercícios sozinha em casa). Percebi que meu marido ficou meio estranho quando viu aquele monte de dilatadores na cama rs, aí fiz assim: enquanto ele me acariciava eu ia colocando os dilatadores um a a um, do menor para o maior com muita calma,deixava cada um deles por volta de 5 minutos dentro de mim. Quando terminei pedi ao meu marido que tentasse colocar o pênis dele, eu segurei o pênis dele e controlei o tanto que podia entrar, aí entrou TUDO!!! Na primeira vez que tentamos!!!!!!! Nem acreditei!!!!Gente, não desistam!!! É possível sim!!! Deus é bom demais!!!! Na hora passou na minha mente todos aqueles looongos anos de tristeza que finalmente tinham chegado ao fim.

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    1. Obrigada pelo testemunho!
      Que tudo esteja a correr bem :)

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  18. Por mais que uma vez mandei e-mail à admin desta página e não obtive resposta alguma.Quero saber se existe alguma fisioterapeuta pelvica em Aveiro ou pelo sns.Boa noite

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  19. Olá, deixo o link do meu blog na esperança de conseguir ajudar alguém.

    http://vaginismoacaminhada.blogspot.com

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